https://daylightproducoes.com.br/wp-admin/post.php?post=871&action=elementorConheci Marcelo Spatafora no primeiro ano de faculdade. Era um sujeito bem-humorado e popular na escola, a quem chamávamos Comandante. Explico: ele trabalhava então na companhia aérea Varig. Mas não seriam as máquinas voadoras seu objeto de comando. Longe disso. Mas sim as câmeras fotográficas 35 mm — e, mais tarde, de vários outros formatos, como o 6 x 6.
Já na faculdade, Spata — apelido que pegou ainda mais que Comandante — clicava com imenso prazer.
E competência. Sua paixão pela fotografia só encontrava paralelo em outras duas: os Beatles e o cafezinho.
Ou seja, uma ótima importação e uma valiosa exportação. Era já uma representação, na vida pessoal, da imensa versatilidade deste fotógrafo que manda muito bem em diversas áreas do métier.
Estreitamos a amizade ainda mais quando trabalhamos juntos na mesma revista. De lá para cá, pude conferir de perto como o Spata não é um, mas vários Spatas.
Exatamente. Fotos para publicidade? É com ele mesmo. Craque no estúdio, clica desde uma xícara de café (pois é) para um still até automóveis. Fotos com luz artificial são uma especialidade deste beatlemaníaco que especializou-se em moda-casa trabalhando em um dos maiores estúdios de Milão.
Mas ele também é exímio quando recorre à luz natural, como pude constatar in loco nas diversas reportagens que fizemos juntos para revistas de viagem, seja na Itália, na Espanha, no México, no Havaí, onde fosse. E há uma realidade que nem todos os bons profissionais de sua geração souberam enfrentar: o avanço vertiginoso da tecnologia.
Sim, a rapidíssima passagem da fotografia analógica para a digital deixou muita gente boa na mão, até mesmo desamparada. Mas não o Spata. Ele percebeu como poucos no ramo as imensas vantagens que a tecnologia lhe traria. Tirou um cafezinho espresso, botou o “Abbey Road” para rodar e, minucioso, estudou com afinco cada desdobramento do processo. Passou a dominá-lo. Deu nisso: hoje, Marcelo Spatafora se tornou também ótimo no portrait, nos ensaios sensuais e até nas fotos de gastronomia.
Quando nossa turma de escola se reuniu para comemorar o aniversário de nossa formatura foi curioso descobrir
que ainda há, entre os contemporâneos de faculdade, quem o chame de Comandante. Tudo bem.
Faz sentido: Marcelo Spatafora mantém pleno comando de suas máquinas. E de sua arte.
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